Subjugar os Direitos Humanos no Ciberespaço
Todos os anos, o diretor
da Inteligência Nacional dos Estados Unidos da América, escreve um relatório
“Worldwide Threat Assessment” acerca das maiores ameaças à sociedade. É no ano
2013 que o ciberespaço é mencionado como o top das ameaças globais.
Não será por acaso que
coincide com o ano das publicações do jornalista norte americano Glenn
Greenwald no jornal britânico The
Guardian sobre o que se viria a tornar-se no caso mais abrangente de
vigilância Internacional a partir da Internet: a divulgação dos programas de vigilância
cibernética global da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na
sigla Americana) pelo seu ex-funcionário Edward Snowden. Estes programas, como
por exemplo o PRISM, arquivam os dados de todos os cidadãos, incluindo emails,
o historial das páginas web, as atividades nas redes sociais, gravações de voz
e vídeo, chamadas, documentos e imagens e têm acesso direto aos servidores de
companhias como a google, Facebook, Microsoft ou Apple.
Outro caso, não menos
mediático, corre ainda hoje, pelos jornais e noticiários de todo o mundo: o
escândalo do acesso a dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook que a
consultora Cambridge Analytica teve e que usou-os para influenciar as eleições
presidenciais norte-americanas em 2016, levando Donald Trump ao poder.
Esta série de incidentes
no Mundo em rede tem abalado a sociedade. A cedência dos dados pessoais advém
da massificação das redes digitais, mas ainda poucas pessoas têm consciência do
que realmente se trata. Não têm consciência que estão a revelar informações
pessoais, ou desconhecem que tipos de informações pessoais as redes podem
deter. Aliado à falta de transparência das entidades, trata-se de um atentado
ao direito à privacidade.
Mas a proteção dos dados
das pessoas singulares é um direito fundamental, protegido pela constituição da
República Portuguesa e pela Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia.
É no âmbito da realização
do XXXIX Colóquios de Relações Internacionais, nomeadamente no 3º painel sobre
a Cibersegurança, que se torna pertinente abordar as questões inerentes aos
nossos direitos cívicos. Contamos com a presença de dois ilustres oradores
portugueses. André Barrinha é Professor de Segurança Internacional na
Universidade de Bath, no Reino Unido e Investigador do Centro de Estudos
Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus principais interesses de
investigação são nas áreas dos Estudos Críticos de Segurança, Segurança
Europeia e Teoria das Relações Internacionais. Já Henrique Santos é professor
associado da Universidade do Minho nas áreas da Segurança em Sistemas de
Informação, Segurança em redes de Computadores e Programação de Computadores e
Investigador no centro de investigação Algoritmi da Universidade do Minho.
É imperativo abordar de
que forma e qual a urgência da comunidade global em tomar as medidas
necessárias para desenvolver uma estrutura legal clara e abrangente sobre
privacidade e vigilância no ciberespaço. Este é o desafio que se coloca à comunidade.
Ou seja, é preciso chegar-se a um equilíbrio entre as normas legais
internacionais que equilibram os direitos humanos e as diretrizes da segurança
e leis nacionais.
Vânia Sofia Santos Oliveira A 81082
Bibliografia
Caldas, A., Freire, V. 2013.
“Cibersegurança: das preocupações à Ação” Instituto
de Defesa Nacional https://www.idn.gov.pt/conteudos/documentos/e-briefing_papers/Working_Paper_2_Ciberseguranca.pdf
Diário da República n.º 113/2015, Série I de 2015-06-12 https://dre.pt/home/-/dre/67468089/details/maximized?p_auth=pKf7McIZ
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