O Ciberespaço como (possível) motivo de conflito
Finalizada a 39ª edição dos Colóquios organizados pelo Centro
de Estudos do Curso de Relações Internacionais, nos quais contamos com a
presença de André Barrinha, professor no Reino Unido, na universidade de Bath.
A sua intervenção coincidiu sobre o tema da Cibersegurança nas RI e qual a
importância (crescente) desta temática no estudo das Relações Internacionais e
do mundo em geral.
André Barrinha começa por esclarecer que no que toca a
questões e problemas relacionados com Cibersegurança não é fácil encontrar ou
ter uma posição ética. Isto é, tudo parece ter prós e contras, tudo parece uma
espécie de pântano, e passo a citar, “A cada passo que damos mais complexo se
torna esta questão. O que é perigoso, porque quanto à tecnologia não é possível
voltar atrás ou recuar nessa área de conhecimento”. A Cibersegurança representa
uma série de questões, uma das quais é precisamente até que ponto a
Cibersegurança é por definição um espaço seguro. Exemplo dado pelo professor
foi precisamente o das ameaças informáticas ao nível da ameaça da soberania de
estados com o caso da possível ambição da Rússia em ter moldado as eleições
americanas nas quais Donald Trump saiu vitorioso. Quem será que o estado
procura proteger com a Cibersegurança? Será a sua população? Economia? As
empresas? Os seus utilizadores? Ou o próprio estado?
A Cibersegurança pode ser claramente definida como um
crescente pesadelo para os profissionais destas áreas de investigação. A tão
falada “internet das coisas”, ou seja, a internet que hoje em dia já é
utilizada nos objetos do quotidiano está num a fase de crescimento exponencial
e prevê-se que no futuro a quantidade de objetos ligados à internet seja muito
superior à quantidade de habitantes do planeta. Até uma simples torradeira pode
já ser ligada à internet e depender o seu funcionamento da utilização de Wi-fi
ou não. Por um lado, podemos chamar a isto crescimento na qualidade do produto,
mas, por outro podemos também chamar de exagero ou abuso de utilização e
dependência tecnológica. Para este dilema surgem vários tipos de resposta e
opiniões. Limitamos o acesso às redes? A resposta societária é não. Modificamos
ainda mais e potencializamos mais a internet das coisas? A resposta societária
é sim. Enquanto sociedade, parecemos não dar importância à progressiva invasão
de privacidade que até nos parece trazer alguma “felicidade ignorante” enquanto
deixamos de lado esse taboo da privacidade.
Outra grande questão é a forma como os estados devem proceder
na contenção ou na gestão da sua Cibersegurança. A tomada de uma posição mais
liberal por um lado pode trazer benefícios aos níveis da criação de ação
comunicativa e na disponibilidade da cooperação, mas, por outro lado, também
deixa fragilizada a posição desse estado no caso de uma possível tentativa de
ataque ou infiltração. Daí que, alguns estados optem por uma posição de
protecionismo, como é o caso da China onde muito se fala, em jeito de
comparação, da criação de uma “great firewall of China”.
Verdade é também que a criação do termo “ciberespaço” veio do
pós 2ª Guerra Mundial e foi proveniente da parte ocidental do globo e que normalmente
é designada como proveniente da “lógica ocidental liberal”. O ciberespaço está
cada vez mais competitivo e a corrida ao “ciber armamento” já começou sendo
nosso dever estar atentos ao desenrolar deste possível motivo de conflito entre
estados/pessoas/empresas e instituições.
José
Nuno Saraiva Bonjardim, 2º ano Relações Internacionais
Comentários
Enviar um comentário