Fábio Antunes
Nos passados dia 8 e 9, no auditório A1 da Universidade do Minho realizaram-se os XXXIX
colóquios de Relações Internacionais, contando com a presença de personalidades
tanto nacionais como internacionais, em torno de inúmeros painéis que abordaram
as mais variadas temáticas em torno das RI.
Com a entrada do terceiro painel, foi refletido o tema da
cibersegurança, sendo este painel composto pelos oradores, André Barrinha (Professor de Segurança Internacional na Universidade de
Bath, no Reino Unido e Investigador do Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra. Doutorado nessa mesma área pela Universidade de Kent,
Reino Unido) e Henrique Santos (Professor Associado de 2º e 3º ciclo de ensino
no Departamento de Sistemas de Informação, pela Universidade do Minho, sendo
responsável pelas mais diversas graduações e pós-graduações, recebeu a sua
primeira graduação em Engenharia Elétrica e Eletrónica pela Universidade de
Coimbra, em 1984. Em 1996 terminou o seu doutoramento em Engenharia de
Computadores pela Universidade do Minho) sendo este painel moderado pela
professora doutora Maria de Assunção Pereira.
André Barrinha
A analise de André Barrinha incidiu numa abordagem
mais teórica da cibersegurança, enumerando alguns problemas e paradoxos,
analisando a forma de como as instituições lidam com a cibersegurança,
incidindo essencialmente nos interesses do setor privado em torno da prevenção
de ataques ao ciberespaço constatando que o ciberespaço é uma espécie de pântano
devido ao seu perigo, consoante a sua utilização de forma inconsciente e os
efeitos negativos que o mesmo pode ter.
Este caracterizou o Dilema em 5 pontos
fundamentais:
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- Cibersegurança como conceito contestável;
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- O ciberespaço como um espaço por definição pouco seguro;
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- O ciberespaço como domínio do privado;
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- O ciberespaço e o problema da fronteira;
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- O ciberespaço e as RI;
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Tal como o orador reflete, a cibersegurança é "um
pesadelo para quem a trabalha", pois, segundo este apesar da internet ter como propósito de
criação ser utilizada para cidadãos de bem, esta é bastante suscetível a
invasões, e aqueles que têm acesso e competência para trabalhar a mesma, são na
sua maioria, entidades privadas que usam a mesma, para satisfação de cliente,
mas nunca sem ter em conta a rentabilização dos seus serviços, inserindo a
internet já dentro de serviços como a água, a luz… serviços de cariz vital
para os seus utilizadores.
Este, culmina a sua apresentação fazendo referencia a
ciberataques, destacando o poder da cyber
arma, esta que consiste num ciberataque que apenas pode ser usado uma vez,
cuja utilização pode fragilizar o ciberespaço num todo, e onde as suas ações
são difíceis de conter, podendo ter estragos significativos (Este dá o exemplo da paralização de um hospital durante 3 dias, devido à necessidade da rede para que o mesmo siga operacional) , para
terminar este apresentou um Website aclamado “NORSE” em que no qual se podem constatar
os ciberataques que existem no mundo, sendo que a variedade dos mesmos está distribuída
entre as maiores potencias múndias, com a emergência de ataques em países como o
Brasil e a India.

Henrique Santos
O segundo orador do painel, teve
uma análise mais técnica do que é a cibersegurança, sendo este ligado à área Informática,
a sua abordagem da temática centra-se na complexidade ligada à tecnologia, concretamente
no que toca à Internet. Este para comprovar o seu ponto enunciou que para se
não há nenhum engenheiro no mundo capaz de desenvolver ou entender a tecnologia
num todo, sendo que para se desenvolver um processador i7 (gama desenvolvida pela
empresa Intel) foram necessários cerca de 200 engenheiros informáticos, de
todas as partes do mundo, sendo que a complexidade deste instrumento informático
é de impossível compreensão para apenas uma pessoa.
Este referiu também, que na
área académica do estudo científico informático existe a falta de
especialização na parte da defesa do ciberespaço, onde neste momento não
existem entidades competentes para atribuírem capacidades a indivíduos para que
estes se focalizem apenas na defesa e sustentação do ciberespaço.
Através da sua apresentação, o
orador manteve sempre presente a ideia do interesse do setor privado em torno das
debilidades do ciberespaço para que estes possam retirar proveito financeiro
através do desenvolvimento de constantes maneiras de conter novos ataques, mas
nunca de estancar ou criar condições de defesa permanente em torno do
ciberespaço, sendo que o mercado é bastante lucrativo, e como existem inúmeros utilizadores
inconscientes das mesmas debilidades e que utilizam o ciberespaço com bastante frequência
estes rentabilizam com grande eficácia os seus programas.
Na conclusão do painel e já com a seção
de questões em torno das distintas apresentações por cada orador eu fiz uma
pergunta ligada aos ataques do Patrioct Act e também mais recentemente do caso
da revelação de Edward Snowden que observou-se através de
documentos do programa Boundless Informant, a aquisição de centenas de bilhões
de metadados provenientes de diversos países aos quais seus agentes teriam
acesso, sendo que a minha questão se inseria no interesse dos Estados em manter
as debilidades do ciberespaço.
A resposta obtida, pelos dois
oradores é que os Estados, no mesmo quadro das entidades privadas, também
aproveitam as debilidades do ciberespaço consoante os seus interesses, sendo que
o sistema internacional é condicionado também por esta nova dinâmica e que é um
constante aproveitamento das lacunas informáticas na monitorização de grande
parte dos indivíduos por parte de Estados e entidades que olham primeiramente
para o lucro e apenas depois para a proteção e satisfação dos seus
cidadãos/clientes.
A Pergunta que deixo para futuros trabalhos de debate e
investigação é a seguinte, com todo este jogo em torno da cibersegurança, não
seremos nós, utilizadores, constantemente munipulados e controlados, sem termos
qualquer conhecimento das ações das entidades reguladoras ou as que estão
ligadas aos sistemas informáticos?
Fábio André Costa Antunes A7743
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