Cibersegurança nas RI : Casos práticos e medidas preventivas
Numa altura em que Portugal passa a
integrar oficialmente o Centro Multinacional e Interdisciplinar de Conhecimento
na Área da Ciberdefesa da NATO (CCDCOE) é importante salientar a crescente
preocupação e divulgação desta temática tão desconhecida, mas ainda assim tão
delicada e perigosa.
Estudos realizados pela KPMG, uma
das maiores empresas de prestação de serviços profissionais e auditoria em
Portugal, no ano de 2018 revelam que 90% das empresas portuguesas estão
preocupadas com possíveis incidentes de Cibersegurança. A verdade é que hoje em
dia a gestão de negócios por parte das empresas e a sobrevivência dos mesmos
está muito dependente da Cibersegurança e na qualidade dos seus sistemas
informáticos. Como tal, o investimento nesta área de ação é fundamental para a
prosperidade do seu desenvolvimento. Cristina Alberto, diretora de continuidade
do negócio da KPMG afirma que "Em 2001, aquando do
atentado às torres gémeas, nos EUA, a preocupação girava em torno do
terrorismo, agora a preocupação recai sobre a cibersegurança e os
ciberincidentes" (Alberto Cristina, 2018). Esta
afirmação explica perfeitamente a mudança de agenda que está a ser feita por
empresas, instituições e até mesmo, e principalmente, na segurança interna dos
vários estados e atores do sistema internacional. Exemplos disso são as
crescentes ameaças e ataques que têm sido realizados à escala internacional. Os
designados “hackers” que tanta facilidade têm em aceder a sistemas de segurança.
Em janeiro de 2017, dois indivíduos de nacionalidade romena acederam a 187 camaras
de vigilância de acesso restrito apenas à policia de Washington e acederam
também a 123 departamentos da polícia norte-americana tendo sido apagados
vários registos de vigilância durante esses dias. Até que ponto esta facilidade
de acessos não é realmente um assunto de importância extrema numa era em que o
mundo virtual tem um peso enorme no nosso dia a dia? Até que ponto estes
ataques não são considerados ameaças de terrorismo transnacional?
André Barrinha, professor na
Universidade de Bath e conferencista do departamento de política e estudos
internacionais da mesma, diz que, quanto a este assunto, Bruxelas tem sido
muito ativa em tentar desenvolver uma resposta adequada à quantidade de
ciberataques que têm ocorrido desde o ano de 2013. Em edição da revista online
da London School of Economics and Political Science, André Barrinha defende que
no seio da União Europeia a Cibersegurança está no pódio das prioridades de
ação e prevenção. O próprio dá-nos ainda dois exemplos que marcaram a recente
realidade internacional e que demonstram a preocupação da União Europeia nesta
temática. O recente roubo de informações de contas de e-mail e números
telefónicos de 2.7 milhões de clientes e condutores da Uber e o “hackeamento”
de 3 milhões de contas Yahoo. Acontecimentos como estes incentivaram e
motivaram iniciativas de prevenção lideradas pela UE.
Se recordarmos conceitos das
Relações Internacionais para compreender certas situações e certos processos de
tomada de decisão percebemos facilmente como as dinâmicas de poder e os dilemas
de segurança estão diretamente ligados à problemática da Cibersegurança. Num
mundo onde o Liberalismo parece ser a teoria da democratização e da paz, vários
autores, realistas, defendem que esta teoria apresenta, precisamente, falhas
que a tornam o “tendão de Aquiles” para a resolução de problemas como o da
Cibersegurança devido à sua excessiva preocupação com a construção da paz.
Realistas defendem que problemas transnacionais como este devem ser motivo de
desconfiança e auto preservação. Dilemas de segurança que não podem ser
resolvidos apenas com apertos de mão mas sim com medidas efetivas de ação que
têm como primeiro objetivo a segurança interna/nacional.
José Nuno Bonjardim, Relações Internacionais 2º ano
Bibliografia:
Weiner, Rachel and Rachel Weiner. 2018. “Romanian Hackers
Took Over D.C. Surveillence Cameras Just Before Presidential Inauguration,
Federal Prosecutors Say”. Washington Post.
https://www.washingtonpost.com/local/public-safety/romanian-hackers-took-over-dc-surveillance-cameras-just-before-presidential-inauguration-federal-prosecutors-say/2017/12/28/7a15f894-e749-11e7-833f-155031558ff4_story.html?noredirect=on&utm_term=.d5b7bcb773a9
“Defesa. Portugal Junta-se Ao Grupo De Países Da NATO Mais
Avançados Em Ciberdefesa”. 2018. PÚBLICO.
https://www.publico.pt/2018/04/23/politica/noticia/portugal-juntase-ao-grupo-de-paises-nato-mais-avancados-em-ciberdefesa-1811426
“Cibersegurança Preocupa Mais De 90% Das Empresas
Portuguesas”. 2018. Jornaldenegocios.Pt.
https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/ciberseguranca-preocupa-mais-de-90-das-empresas-portuguesas
“How Coherent Is EU Cybersecurity Policy?”. 2018. EUROPP.
http://blogs.lse.ac.uk/europpblog/2018/01/16/how-coherent-is-eu-cybersecurity-policy/
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